Alô Bahia Notícias
Geral

Central Park de Nova Iorque se adapta às mudanças do clima encarando o calor

Por Redação • 14 de setembro de 2026 às 09:00

Central Park de Nova Iorque se adapta às mudanças do clima encarando o calor

Central Park de Nova Iorque se adapta às mudanças do clima encarando o calor

No coração de Manhattan, na cidade de Nova Iorque, os efeitos das mudanças climáticas estão se tornando cada vez mais visíveis.

O Central Park, um dos pontos turísticos mais conhecidos do mundo, vem enfrentando chuvas mais intensas, inundações e erosão do solo. Além disso, ondas de calor prolongadas afetam tanto o ecossistema quanto os visitantes.

ONU News/ Evgeniya Kleshcheva Pessoas andam de bicicleta pelo Central Park, na cidade de Nova York

Temperatura 5°C mais baixa do que o entorno

Mas o parque também ajuda Nova Iorque a enfrentar o calor. Ele contribui para resfriar a cidade, purificar o ar, absorver a água das tempestades e oferece às pessoas um refúgio sob as árvores para escapar das altas temperaturas. 

De acordo com o Central Park Climate Lab, a temperatura no local pode ser cerca de 5°C mais baixa do que nas ruas ao redor.

A diretora da Central Park Conservancy, Yanina Kupava, afirmou que os parques urbanos “são muito mais do que espaços de lazer, eles são uma infraestrutura verde essencial”.

A ONU News visitou o Central Park em um dia quente de verão, poucas semanas antes de líderes mundiais se reunirem na sede das Nações Unidas para o Debate de Alto Nível da Assembleia Geral, que começa em 22 de setembro.

Enquanto políticos e especialistas discutem como as cidades podem se adaptar a um planeta mais quente, algumas dessas soluções já podem ser vistas a poucos quarteirões dali, dentro do parque.

Cenário de pedidos de casamento sob risco

Se o principal desafio na década de 80 era restaurar o parque, que havia sofrido anos de abandono após a crise fiscal dos anos 70, hoje a prioridade é preservar sua paisagem histórica diante das mudanças climáticas.

As famosas alamedas de macieiras ornamentais do parque, por exemplo, tornaram-se um de seus cenários mais espetaculares durante a primavera, quando os galhos se cobrem de flores brancas, rosas e roxas. Funcionários do parque dizem que o local é tão romântico que o número de pedidos de casamento ali é “impressionante”.

Mas invernos excessivamente amenos podem impedir que as macieiras floresçam completamente, enquanto períodos de calor em fevereiro podem fazer com que magnólias e cerejeiras floresçam cedo demais.

Kupava explicou que “se elas florescerem muito cedo, uma geada tardia pode causar um grande impacto nas árvores”. E, se os invernos continuarem cada vez mais amenos, essas árvores poderão ter dificuldade para florescer e serem polinizadas.

ONU News/ Nargiz Shekinskaya Central Park na cidade de Nova Iorque

Plantas adaptadas a novas condições climáticas

Estar localizado no centro de uma grande metrópole também aumenta a pressão sobre as plantas e a vida silvestre do parque. Nova Iorque, assim como outras áreas urbanas densamente construídas, aquece mais rapidamente e retém o calor por mais tempo do que as regiões suburbanas e rurais ao redor.

Por isso, a Central Park Conservancy, organização responsável pela manutenção do parque, está buscando variedades de plantas mais adaptadas às novas condições climáticas e experimentando espécies provenientes de diferentes zonas climáticas.

O desafio é delicado: adaptar uma paisagem concebida no século 19 às condições do século 21, sem permitir que o Central Park perca as características que o tornaram reconhecido em todo o mundo.

UN News/Evgeniya Kleshcheva Uma abelha poliniza uma flor no Central Park

Nem uma folha é desperdiçada

Em uma área de trabalho na parte norte do parque, montes de folhas, ervas daninhas e outros resíduos vegetais, incluindo restos de alimentos das instalações dos funcionários, estão sendo transformados em compostagem orgânica.

Esse material é utilizado para fortalecer as plantas diante das mudanças climáticas. Também serve para enriquecer o solo dos jardins, ajudar na recuperação de gramados muito utilizados e reduzir o escoamento superficial da água durante chuvas intensas.

Kupava explicou que “todo esse material valioso permanece no parque, para que esses nutrientes retornem ao solo”.

A Conservancy agora pretende ampliar essa área para processar ainda mais material, mantendo a maior quantidade possível de resíduos fora dos aterros sanitários.

ONU News/ Evgeniya Kleshcheva Os funcionários do Central Park recolhem vegetação para compostagem.

Economizando cada gota

A conservação da água é outra grande prioridade. Uma nova infraestrutura subterrânea permitirá está sendo criada para favorecer a circulação entre os corpos d'água localizados na parte norte do Central Park, eliminando a necessidade de abastecer continuamente o sistema com água potável.

Kupava disse que isso não será algo muito visível para o público, “mas a economia de água para a cidade será imensa”.

Ao mesmo tempo, a Conservancy está substituindo gradualmente máquinas movidas a gasolina e diesel por alternativas elétricas, desde pequenas ferramentas motorizadas até cortadores de grama, tratores e compactadores de lixo. 

Equipamentos que ainda estão em funcionamento não são simplesmente descartados. As versões elétricas passam a ser consideradas à medida que as máquinas precisam ser substituídas e tecnologias adequadas se tornam disponíveis.

Uma lição para cidades de todo o mundo

Embora o trabalho da Conservancy esteja concentrado em um único parque, sua experiência oferece lições que vão muito além de Nova Iorque.

Mais da metade da população mundial já vive em cidades e, até 2050, esse percentual deverá se aproximar de 70%. À medida que as temperaturas aumentam e os riscos de inundações crescem, os espaços verdes urbanos tornam-se cada vez mais importantes.

Para Yanina Kupava, a principal lição é que o investimento de longo prazo em infraestrutura verde é fundamental. Segundo ela, isso ajuda as cidades a oferecer um ambiente melhor no dia a dia, mas também as prepara para enfrentar futuras mudanças climáticas e ambientais.

*Evgeniya Kleshcheva é jornalista da ONU News russo

Fonte: ONU News. Matéria original.

Compartilhar:WhatsApp

Leia também