Condições áridas ampliam risco de incêndios em regiões frias da Europa
Por Redação • 8 de setembro de 2026 às 09:00

Condições áridas ampliam risco de incêndios em regiões frias da Europa
Especialistas alertam que áreas antes consideradas imunes, como Escócia e Escandinávia, enfrentam agora vegetação seca e maior vulnerabilidade ao fogo.
Altas temperaturas, longos períodos de seca e mudanças no uso do solo estão expandindo a ameaça de incêndios florestais para áreas de clima temperado.
Dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais revelam que mais de 600 mil hectares de terra foram queimados na União Europeia nesse ano. Embora menor que o registrado em 2025, o número supera a média dos últimos 20 anos.
Focos de incêndios pela Europa
Segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS, com o agravamento do El Niño, a previsão é que os incêndios florestais se intensifiquem.
Embora a maior parte dos focos tenham ocorrido em países mais quentes a esse tipo de evento, como França e Espanha, condições de extrema seca estão elevando o risco em muitas áreas da Europa Ocidental e Central.
O pesquisador do Centro Leverhulme para Incêndios Florestais, Meio Ambiente e Sociedade, no Reino Unido, Will Hayes, alerta que regiões tradicionalmente mais úmidas e frias estão agora experimentando janelas mais frequentes de vegetação seca. O fogo tem mais possibilidade de se espalhar.
Terras altas da Escócia
Regiões antes consideradas imunes a esse tipo de desastre, como as Ilhas Britânicas e o sul da Escandinávia, passam a enfrentar riscos crescentes de queimadas.
A Escócia registrou um incêndio nas montanhas Cairngorms em julho. As chamas penetraram no subsolo, criando focos de calor pela floresta. A operação mobilizou mais de 500 bombeiros, suporte aéreo e escavadeiras.
Nove dias após o início do foco, ventos fortes direcionaram o fogo em direção à Nethy Bridge, levando à evacuação de parte dos 600 moradores.
A operação dos bombeiros e de resgate levou mais de um mês para ser totalmente desmobilizada.
Saúde pública
Os especialistas da OMS ressaltam que o combate aos incêndios deve ser tratado como uma política de adaptação climática, gestão do solo e saúde pública.
A fumaça, o calor extremo e os danos colaterais representam ameaças à população e à infraestrutura dos países afetados.
Para auxiliar os governos, a OMS realiza oficinas regionais na Europa para capacitar autoridades. Chipre e Irlanda concluíram recentemente suas primeiras avaliações nacionais utilizando a metodologia da agência para mapear ondas de calor e incêndios.
A gerente do Programa de Preparação e Capacidades do Regulamento Sanitário Internacional do Escritório Regional da OMS para a Europa, Tanja Schmidt, afirma que entender os riscos relacionados ao clima permite priorizar ações para proteger comunidades vulneráveis e apoiar respostas dos sistemas de saúde.
Fonte: ONU News. Matéria original.
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