Ebola avança para novas áreas da RD Congo matando quase metade dos infectados

Saúde

Taxa de letalidade de 48,3% assusta partes da nação africana; crise de saúde levou a mais de 3,2 mil mortes; equipes reforçam vigilância nas fronteiras congolesas e monitoram mais de 20 mil pessoas que tiveram contatos com pacientes que contraíram o vírus bundibugyo.

O surto de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, se expandiu para uma zona de saúde adicional: Kayna, no Kivu do Norte. Esse aumento eleva o total de áreas afetadas para 61, em seis das 26 províncias do país.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS, já são mais de 6.757 casos confirmados, incluindo 3.267 mortes, resultando em uma taxa bruta de letalidade de 48,3%. 

Risco de disseminação 

A agência da ONU informou que outros 20 casos foram registrados em Uganda, um  na França e duas notificações na RD Congo foram tratadas na Alemanha, posteriormente.

A taxa de transmissão do vírus bundibugyo continua alta e representa um risco de contágio para além das fronteiras da RD Congo. 

Para conter a situação, o pessoal de saúde está fazendo triagem e vigilância em aeroportos, portos e passagens oficiais de fronteira terrestre. No entanto, as viagens por rotas informais persistem e podem facilitar a exportação, importação e transmissão do vírus. 

Nesse contexto, a OMS afirma que o fortalecimento da coordenação transfronteiriça é fundamental para limitar a propagação regional e apoiar uma resposta eficaz.

Unfpa/RD Congo António Guterres disse que já se sabe exatamente como conter a transmissão e salvar vidas

Províncias mais afetadas

Ituri, o epicentro do surto, registra 5.406 casos confirmados desde o início da crise, incluindo 1.114 novos casos relatados nos últimos 21 dias, até 7 de setembro. 

Kivu do Norte é a segunda província mais afetada, com um número acumulado de 1066 casos confirmados, incluindo 453 relatados nos últimos 21 dias.

As equipes de saúde se desdobram para monitorar mais de 20 mil pessoas que tiveram contato com alguém infectado, o que revela a extensão do potencial de novas infecções nas comunidades afetadas.

Contexto humanitário complexo

O surto se desenrola em um contexto humanitário complexo, caracterizado por insegurança, conflito armado e deslocamento populacional generalizado. 

Mais de 26 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar aguda no país e aproximadamente um milhão de deslocados internos residem somente na província de Ituri. 

A insegurança contínua e o deslocamento limitam o acesso à saúde e serviços essenciais. As equipes de resposta enfrentam vários obstáculos para alcançar as áreas afetadas, o que dificulta as atividades de vigilância, investigação de casos e rastreamento de contatos. 

Além disso a superlotação de abrigos, bem como os serviços limitados de água, saneamento e higiene prejudicam a detecção precoce de casos, as medidas de prevenção, o controle de infecções e o tratamento em tempo hábil. 

Essas condições reduzem a eficácia das intervenções de saúde em meio a uma disseminação cada vez mais rápida da doença.