Grupos terroristas usam jogos e redes sociais para recrutar jovens
Por Redação • 14 de setembro de 2026 às 09:00

Grupos terroristas usam jogos e redes sociais para recrutar jovens
Propagandas de grupos terroristas estão, cada vez mais, presentes em redes sociais, plataformas de jogos online e comunidades virtuais, com foco no recrutamento de crianças e jovens.
O alerta vem de um relatório elaborado pelo Comitê Contra o Terrorismo, Cted, do Conselho de Segurança da ONU. O documento mostra que a propaganda terrorista ultrapassou a simples divulgação de mensagens.
Jogos de tiro em primeira pessoa
Muitos grupos terroristas estão desenvolvendo jogos de tiro em primeira pessoa com temática extremista violenta, ou modificando games já existentes, para incorporar narrativas extremistas em formatos já familiares aos jovens.
Segundo o documento, esses grupos estão atentos ao crescimento do acesso digital na África, e começam a mirar nos mais de 350 milhões de usuários de plataformas de jogos no continente.
Os especialistas alertam que redes terroristas e criminosas também podem começar a explorar microtransações em jogos para movimentar e ocultar fundos.
Processo de radicalização nas redes
Já as redes sociais são usadas para disseminação de desinformação e ideologias propícias ao terrorismo, distribuídas com auxílio de inteligência artificial.
Os terroristas tentam influenciar os jovens e conduzi-los progressivamente de plataformas convencionais para ambientes mais fechados e imersivos, onde a exposição a conteúdo mais violentos acontece.
O levantamento aponta o Discord, o Twitch e o Steam como plataformas pouco regulamentadas, onde há grande disseminação de propaganda extremista e infraestrutura ideal para recrutamento e formação de comunidades.
Outra estratégia é a produção de imagens altamente violentas, conhecidas como gore, como vídeos de execuções e imagens de vítimas em massa, que são usadas com frequência para promover a radicalização.
Essas organizações criminosas entendem que o choque e o espetáculo funcionam como ferramentas eficazes de propaganda, impulsionando o engajamento e aumentando a visibilidade das mensagens terroristas.
Propaganda como elemento central
De acordo com o levantamento do Cted, a propaganda hoje tem um papel central na estrutura operacional desses grupos, influenciando a forma como recrutam combatentes, arrecadam fundos e administram territórios.
Enquanto grupos como a Al-Qaeda dependiam de mensagens centralizadas distribuídas principalmente por meios físicos, o surgimento do Isil, também conhecido como Daesh, em meados de 2010, marcou a transição para "ecossistemas de propaganda digital multilíngues e de alto volume".
A análise conclui que esses grupos utilizam a propaganda para reforçar atividades de governança, explorar queixas das populações locais, construir legitimidade, facilitar a arrecadação de recursos e moldar a percepção de autoridade.
Foco em Moçambique e comunidades cristãs
O relatório adiciona que a propaganda não apenas acompanha as operações desses grupos, mas também pode precedê-las e sinalizá-las.
Uma análise da frequência de palavras-chave na Al-Naba, a principal publicação semanal do Daesh, revelou, por exemplo, um aumento nas referências a Moçambique e a ataques contra comunidades cristãs.
Trata-se de uma mudança que não reflete necessariamente a realidade das operações em campo, mas sim as prioridades de propaganda que o Daesh busca promover.
Lacunas de regulamentação e fiscalização
O avanço da propaganda terrorista em diversas frentes é impulsionado por lacunas na regulamentação e na fiscalização. O texto afirma que as autoridades responsáveis pela aplicação da lei frequentemente carecem de ferramentas de investigação para monitorar comunicações de voz, vídeo e ambientes de jogos.
Além disso, sistemas de moderação de conteúdo são limitados ou inexistentes em muitos idiomas, especialmente na África.
O relatório ressalta que respostas eficazes devem superar essas lacunas e enfrentar a propaganda não apenas como conteúdo, mas como um elemento central que viabiliza as operações terroristas.
Fonte: ONU News. Matéria original.
Leia também

Quando o oceano logístico atropela o mar biológico: como a economia global ameaça os corredores da vida marinha
Sempre que fazemos uma compra online e a encomenda chega à nossa porta, raramente pensamos no trajeto que ela percorreu. A realidade é que mais de 80% do comércio mundial viaja por via marítima. Este é o “oceano logístico”, uma complexa teia de autoestradas invisíveis fundamentais para a economia gl
Ler mais
Na Europa e no Brasil, políticas mulheres recebem mais ofensas do que homens na internet
From right to left, Roberta Metsola, president of the European Parliament since January 2022, and Ursula von der Leyen, president of the European Commission since 2019. European People's Party/Flickr, CC BY Os espaços online são fóruns para debates políticos acirrados. Ao analisar mais de 3,2 milhõe
Ler mais
Tecnologia ajuda mulheres em risco de violência a tomar decisões sobre sua segurança
Com uma equipe multidisciplinar que reúne diversas instituições espalhadas pelo Brasil, o projeto Eu Decido tenta garantir segurança e ajudar mulheres em situação de violência a buscar ajuda. Ilustração: Lorena Mendonça/Projeto Eu Decido Os números da violência contra as mulheres têm explodido no Br
Ler mais
Como evitar as micotoxinas nos alimentos que consumimos: o que diz a Ciência
Produzidas por fungos, as micotoxinas aparecem principalmente em produtos de origem vegetal como cereais, pão, massas, arroz, milho, nozes, café, cacau, especiarias, frutas secas ou amendoins; e é praticamente impossível evitá-las totalmente. Sarah Chai/Pexels, CC BY As micotoxinas são compostos tóx
Ler mais