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Mosquitos da dengue expandem seu alcance e chegam a novos territórios, incluindo a Flórida

Por Redação • 15 de setembro de 2026 às 16:55

Mosquitos da dengue expandem seu alcance e chegam a novos territórios, incluindo a Flórida
O mosquito <i>Aedes aegypti</i> transmite a dengue de pessoa para pessoa: apesar da expansão da área de ocorrência dos insetos e da doença, a dengue ainda passa facilmente despercebida tanto por pacientes quanto pelos médicos americanos. Smith Collection/Gado/Getty Images

O jornal americano Tampa Bay Times recentemente noticiou a morte de uma idosa em 8 de setembro de 2026. A família dela afirma que os médicos locais atribuíram a morte à dengue, embora o Departamento de Saúde da Flórida ainda não tenha confirmado isso.

Essa morte provavelmente fez parte de um surto mais amplo de dengue no condado de Hillsborough, onde houve 95 casos documentados de dengue desde julho de 2026. Em agosto deste ano, o Departamento de Saúde do Condado de Hillsborough emitiu um alerta sobre doenças transmitidas por mosquitos devido a relatos de vários casos adquiridos localmente.

Esse aglomerado de casos transmitidos localmente é uma forte lembrança de que uma doença que a maioria dos americanos associa a férias em distantes países tropicais é cada vez mais contraída em casa.

A dengue é frequentemente chamada de “febre quebra-ossos”, e esse apelido é merecido. As pessoas que adoecem geralmente apresentam febre alta repentina, acompanhada de forte dor de cabeça, dor atrás dos olhos e dores profundas nos músculos, articulações e ossos. Muitas também sentem náuseas, vomitam ou apresentam erupções cutâneas em manchas alguns dias depois.

Como médico especialista em doenças infecciosas e medicina tropical que dirige uma clínica para viajantes, vejo com que facilidade a dengue passa despercebida tanto por pacientes quanto pelos médicos americanos. Em regiões dos EUA onde a doença ainda é pouco comum, ela é facilmente confundida com uma gripe ou a COVID-19, e esse atraso no diagnóstico pode ser perigoso.

Como ela se espalha

A dengue não é transmitida de pessoa para pessoa como um resfriado. Ela se espalha pela picada de mosquitos infectados, principalmente o Aedes aegypti, uma espécie comumente encontrada na Flórida. Esses mosquitos se desenvolvem em cidades com climas quentes e podem se reproduzir em quantidades mínimas de água parada, como em uma tampa de garrafa. E esses mosquitos picam durante o dia, não apenas ao anoitecer.

O ciclo é simples e difícil de interromper: um mosquito pica uma pessoa infectada e, dias depois, pica outra pessoa, transmitindo o vírus.

A dengue é especialmente traiçoeira porque a maioria das infecções não causa nenhum sintoma. Aproximadamente 3 em cada 4 pessoas que contraem o vírus nunca se sentem doentes. Para os 25% que apresentam sintomas, eles só aparecem de quatro a dez dias após a picada.

Além disso, existem quatro cepas diferentes do vírus da dengue, e sobreviver a uma delas oferece proteção duradoura apenas contra essa linhagem específica. Uma segunda infecção por um tipo diferente, na verdade, aumenta as chances de desenvolver uma forma grave da doença.

Reviravolta com risco de vida

A maioria das pessoas sofre com a dengue por uma semana difícil e depois se recupera por conta própria. Mas cerca de um em cada 20 pacientes evolui para dengue grave, uma complicação com risco de vida que tende a ocorrer justamente quando a febre começa a baixar – geralmente entre o terceiro e o sétimo dia, quando os pacientes e suas famílias podem erroneamente supor que o pior já passou.

Na dengue grave, pequenos vasos sanguíneos por todo o corpo começam a vazar líquido, a pressão arterial pode despencar e podem ocorrer hemorragias perigosas ou danos aos órgãos. Sinais de alerta de que alguém está entrando nessa fase incluem dor abdominal intensa, vômitos repetidos, sangramento nas gengivas ou pelo nariz, sonolência extrema ou agitação, e sangue no vômito ou nas fezes.

Alguns grupos correm maior risco, incluindo bebês, mulheres grávidas, adultos com mais de 65 anos e pessoas com condições como diabetes, obesidade ou doença renal. Se não for tratada, a dengue grave pode causar a morte de até 10% dos pacientes. Com atendimento hospitalar imediato, esse número cai para menos de um em cada 100 – e é por isso que o diagnóstico precoce é tão importante.

Existe uma vacina contra a dengue, mas ela não é recomendada para o turista americano comum. As vacinas disponíveis são usadas apenas em casos específicos, como crianças que moram em áreas de alta transmissão e já tiveram dengue uma vez. Portanto, a prevenção ainda depende principalmente de evitar picadas de mosquito.

Como a dengue é tratada

Não há medicamento antiviral que cure a dengue. O tratamento consiste em ajudar o organismo enquanto ele combate o vírus. Para pessoas que se sentem bem o suficiente para ficar em casa, isso significa repouso, ingestão abundante de líquidos e paracetamol, comumente conhecido nos EUA pela marca Tylenol, para febre e dor.

Pacientes que possam ter dengue devem evitar aspirina, ibuprofeno e outros anti-inflamatórios não esteroides. Esses medicamentos aumentam o risco de sangramento, o que já é um perigo associado à dengue.

Pacientes que apresentarem sintomas mais graves precisam ser internados no hospital, onde os médicos administram fluidos intravenosos cuidadosamente dosados e monitoram de perto. Se a quantidade de fluidos for insuficiente, o paciente pode entrar em choque; se for excessiva, os pulmões podem inchar.

Um problema global que piora

A dengue está em alta em todo o mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) contabilizou mais de 14 milhões de casos em 2024, o pior ano já registrado, em cerca de 100 países. Isso representa um aumento de 2.600% em relação aos mais de 505 mil casos registrados em 2000.

Temperaturas mais altas, o rápido crescimento urbano e as viagens internacionais estão contribuindo para que os mosquitos – e o vírus – se espalhem por lugares onde nunca haviam sido um problema antes. O Sul da Ásia, o Sudeste Asiático e a América Latina são as regiões mais afetadas, mas o problema está se espalhando para o norte.

Por que os EUA devem ter atenção

A maioria dos casos de dengue nos EUA ainda é contraída no exterior. Os viajantes voltam para casa doentes. Só em 2023, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) relataram quase 1.900 casos desse tipo relacionados a viagens.

Mas cada viajante infectado é uma faísca, e nos estados de clima quente o combustível já está presente.

Nos territórios dos EUA, Porto Rico e as Ilhas Virgens Americanas registram, de longe, o maior número de casos. A Flórida apresenta o maior risco entre os 50 estados, com o condado de Miami-Dade registrando mais de 300 infecções por dengue adquiridas localmente entre 2010 e 2024. Casos locais também surgiram no Texas, na Califórnia, no Arizona e no Havaí.

O que fazer se você achar que está com dengue

Se você tiver febre repentina após viajar para uma área propensa à dengue ou após exposição a mosquitos no sul da Flórida, consulte um médico e informe onde esteve. Descanse, beba líquidos e use paracetamol – não ibuprofeno nem aspirina.

Acima de tudo, fique atento aos sinais de alerta. Dor abdominal intensa, vômitos repetidos, sangramento ou sonolência repentina significam que você deve ir imediatamente a um pronto-socorro.

E para proteger a si mesmo e aos seus vizinhos: use repelente de insetos, vista roupas de mangas compridas e esvazie qualquer água parada no seu quintal onde os mosquitos possam se reproduzir.

The Conversation

Andrés Henao não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

Fonte: The Conversation Brasil. Matéria original.

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