Especial Jabuti Acadêmico
Por Redação • 11 de setembro de 2026 às 09:03
A terceira edição do prêmio Jabuti Acadêmico, que tem o apoio da FAPESP, da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, revelou seus vencedores em 12 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo.
O físico José Goldemberg, 98 anos, foi escolhido como a Personalidade Acadêmica homenageada no ano. Ex-presidente da FAPESP, professor emérito da USP, ex-ministro da Educação e da Saúde e ex-secretário estadual do Meio Ambiente em São Paulo, Goldemberg iniciou sua atividade científica em 1950. Em seu discurso, ele falou sobre a relação entre a pesquisa científica e o que o governo e a sociedade esperam dela. “Receber o prêmio […] neste momento da minha jornada é mais do que um reconhecimento pessoal. É a validação de uma premissa à qual dediquei minha vida, a de que a ciência brasileira tem voz, autonomia e responsabilidade diante do mundo.”
Nina Beatriz Stocco Ranieri, professora da Faculdade de Direito da USP e coordenadora da Cátedra Unesco do Direito à Educação, estreou como curadora do prêmio, substituindo o físico Marcelo Knobel, idealizador e curador das primeiras duas edições. Ela destacou como um importante avanço na edição atual a política de uso da inteligência artificial que segue os padrões adotados internacionalmente.
A historiadora Mary Del Priore foi reconhecida com o Livro Acadêmico Clássico do ano: História das mulheres do Brasil, lançado pela Editora Contexto e pela Unesp em 1997, com o apoio da FAPESP. Ela organizou a obra pioneira, que reúne 19 artigos acadêmicos e um texto de Lygia Fagundes Telles.
Destaques entre os vencedores deste ano
Thiago Benucci, com O jeito Yanomami de pendurar redes (Perspectiva), na categoria Antropologia, Sociologia, Demografia, Ciência Política e Relações Internacionais. Em 2016, ele estudou as formas Yanomami de habitar com apoio da FAPESP.
Reginaldo Prandi, professor emérito de sociologia na USP, com Brasil africano: orixás, sacerdotes, seguidores (Pallas), na categoria Ciências da Religião e Teologia. Em abril, ele deu entrevista à Pesquisa FAPESP sobre sua trajetória de pesquisa.
Michael França, pesquisador do Insper, e Fillipi Nascimento, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, com A loteria do nascimento (Jandaíra), na categoria Economia. Entre 2018 e 2020, França teve apoio da FAPESP para estudar a relação entre fecundidade, identificação racial e desigualdade.
José Eduardo Faria, professor titular da Faculdade de Direito da USP, com A democracia e o direito depois da pandemia (Perspectiva), na categoria Direito.
Carlos Eduardo Cerri, professor titular da Esalq-USP, e três coautores, com Saúde do solo em ecossistemas tropicais (Fealq), na categoria Ciências Agrárias e Ciências Ambientais.
Estante
Lucia Sano, professora associada de letras na Unifesp, traduziu do grego Anábase: a expedição persa, de Xenofonte. O relato da guerra de mercenários atenienses contra o rei Artaxerxes II, em 401 a.C., ganha uma versão contemporânea pela Penguin-Companhia das Letras. Entre 2014 e 2016, a professora traduziu e anotou a Ciropédia, com o apoio da FAPESP.
Denise Vilela, da Universidade Federal de São Carlos, lança Alice hoje: lógica e nonsense (Fábrica de Cânones). Pesquisadora do ensino de matemática, Denise caiu pelo buraco de coelho de Lewis Carroll para propor exercícios didáticos lúdicos. O projeto teve apoio da FAPESP.
O psicanalista Christian Dunker, professor titular do Instituto de Psicologia da USP, lançou Discurso e narrativa em psicanálise (Autêntica), articulando conceitos fundamentais com a prática clínica na convivência com pacientes que não conseguem narrar a própria vida.
Marcio Pimenta, jornalista e sobretudo impressionante fotógrafo, atravessou a Patagônia com o apoio da National Geographic Society, refazendo parte da viagem de Charles Darwin com o Beagle e entrevistando cientistas e povos originários da região. Essa jornada deu origem ao livro Encontrando Darwin: uma expedição através da Patagônia (Solisluna).
A Diálogos Editora, liderada por Eleilson Leite, lança em setembro os primeiros títulos da coleção Diálogos Urgentes. Ela traz obras que traduzem para o público geral temas da atualidade, como a aceleração da vida cotidiana, o machismo digital, o capacitismo e a degradação da internet. Os primeiros volumes serão lançados na Bienal do Livro.
2.out. | Conferência “Explorando o uso de IA para publicações científicas”
A oitava Conferência FAPESP deste ano será com Henrik Rudolph, editor-chefe da revista Progress in Surface Science, da Elsevier, e professor emérito da Universidade de Utrecht (Países Baixos). A conferência tratará das vantagens, desvantagens e questões relativas à autoria no uso de aplicações de inteligência artificial na academia.
30.out. | Conferência “Solidão, redes sociais e doenças crônicas não transmissíveis”
Eliete Bouskela, pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e primeira mulher a presidir a Academia Nacional de Medicina, fará a nona Conferência FAPESP deste ano. Ela tem acompanhado os efeitos da solidão no sedentarismo, na obesidade e nas condições cardiovasculares derivadas.
9 a 13.nov. | Escolas Interdisciplinares
A FAPESP realiza edições das Escolas Interdisciplinares, que reúnem pesquisadores em início de carreira e cientistas convidados do Brasil e do exterior. São dois encontros, um de Ciências Exatas, Naturais, Engenharia e Medicina, e outro de Humanidades, Ciências Sociais e Artes. Informações em fapesp.br/18333.
Fonte: Revista Pesquisa FAPESP. Matéria original.
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